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Como escolher uma aplicação para dividir despesas
Na página de descarregamento parecem todas iguais. As diferenças aparecem ao terceiro fim de semana, quando alguém se recusa a instalar seja o que for, quando uma despesa tem de ser repartida de forma desigual, ou quando é preciso tirar o histórico. Estes são os seis critérios que realmente as distinguem — e, no fim, o que o WeSplit não sabe fazer.
A resposta curta
Bastam seis critérios para decidir. As formas de repartição disponíveis, a possibilidade de participar sem instalar nada, o tratamento das moedas, o modelo de negócio, o que acontece ao teu histórico e como se acertam as contas.
O mais subestimado é o segundo. Em quase todos os grupos há alguém que não vai instalar uma aplicação. Se não puder participar, passa a ser um nome que outra pessoa mantém — e o grupo volta à aproximação que se queria evitar.
1. As formas de repartição
É o que separa as aplicações utilizáveis das restantes. «Dividir pelos que somos» só cobre parte das situações reais. São precisas quatro:
| Modo | Situação |
|---|---|
| Partes iguais | Toda a gente aproveita de igual modo |
| Só alguns | O jantar a que dois não foram |
| Por quotas | Um casal conta a dobrar dentro de um grupo de amigos |
| Valores exatos | A conta detalhada, voos a preços diferentes |
Uma aplicação que só oferece o primeiro modo obriga-te a fazer batota: inventar uma despesa compensatória, ou desistir. Os quatro modos em detalhe, com um exemplo com números.
2. Tem de a instalar toda a gente?
Põe a pergunta ao contrário: o que acontece à pessoa do grupo que não vai instalar nada? Três respostas possíveis, e não valem o mesmo.
- Não pode participar. Outra pessoa regista por ela, nunca vê o seu saldo, e fica a saber o valor por mensagem no fim.
- Existe como simples nome dentro do grupo. As contas ficam certas, mas mantém-se passiva.
- Participa a partir do navegador, sem instalar nada e sem conta. É a única resposta que não exclui ninguém.
É muitas vezes isto que decide a adoção real: um grupo alinha-se pelo membro mais relutante, não pelo mais entusiasta.
3. As moedas
Fora da zona euro a pergunta não é «aceita várias moedas» mas «conserva a moeda de origem e a taxa do dia». Converter no momento do registo, a uma taxa aproximada, introduz um erro de 2 a 5 % por despesa que se acumula ao longo de toda a viagem.
Confirma também que a taxa continua editável depois: a do teu banco não é a do mercado.
4. O modelo de negócio
Uma aplicação de despesas partilhadas vê informação íntima: com quem viajas, quanto gastas, a quem deves. «Como é que este produto ganha dinheiro» não é, portanto, uma pergunta secundária.
| Modelo | O que implica |
|---|---|
| Pago | O mais claro: o cliente és tu. Mas tens de convencer o grupo todo a pagar |
| Gratuito com publicidade | Mostrar anúncios implica quase sempre rastreadores de terceiros e, logo, um aviso de consentimento |
| Freemium | Vê o que está atrás do muro: se for a repartição por valores exatos, a versão gratuita não serve |
| Gratuito sem publicidade | Pergunta-te o que financia o desenvolvimento, e lê a política de privacidade |
Em qualquer caso, o teste concreto: abre a política de privacidade e procura se há dados cedidos a terceiros para fins publicitários. A resposta está lá, ou falta — ambas as coisas dizem alguma coisa.
5. O que acontece ao teu histórico
Duas perguntas, ambas verificáveis antes de começar: consegues exportar as tuas despesas num formato aberto, e consegues apagar a tua conta a partir da própria aplicação?
Uma exportação CSV não é um luxo. É o que te permite sair, fazer as contas de outra maneira, ou simplesmente guardar registo quando o grupo já está fechado.
6. O acerto de contas
Uma aplicação que mostra os saldos sem ajudar a fechá-los fica a meio caminho. Duas coisas a olhar: a compensação das dívidas — propõe o menor número de transferências, ou uma lista de devoluções cruzadas? — e os meios de pagamento que sabe preparar. Em Portugal, contemplar o MB Way poupa bastante tempo.
Atenção a uma armadilha: algumas aplicações integram o seu próprio serviço de pagamento, com comissões. Uma transferência entre amigos deve continuar gratuita.
Procuras uma alternativa a uma aplicação conhecida?
Splitwise, Tricount, Splid: estes nomes aparecem sempre, e cada um tem os seus defensores. Em vez de te dizermos quanto valem — as funcionalidades e os preços mudam, e nós não somos neutros — pega nos seis critérios acima e testa-os tu com um grupo real. Meia hora chega.
O único conselho verdadeiramente útil: testa com um fim de semana a sério, não com despesas inventadas. As diferenças só aparecem nos casos complicados, e os casos complicados não se inventam.
O que o WeSplit faz
Os quatro modos de repartição. A participação a partir do navegador, sem instalação nem conta obrigatória. As moedas conservadas com a sua taxa. A compensação das dívidas para reduzir o número de transferências. A exportação CSV no período escolhido. A eliminação da conta a partir das definições. Gratuito, sem publicidade, sem rastreadores publicitários de terceiros.
O que o WeSplit não faz
Mais vale dizermo-lo nós do que descobrires no pior momento.
- Não lê recibos automaticamente. Podes fotografar o recibo para o guardar, mas o valor escreve-se à mão.
- Não há saldo global entre duas pessoas somando todos os grupos. Se partilhas uma viagem e uma casa com a mesma pessoa, são duas contas separadas.
- Não há comentários nem reações numa despesa. É uma ferramenta de contas, não um fio de conversa.
- Offline só em parte. Podes adicionar uma despesa sem rede e ela sincroniza depois, mas consultar um grupo inteiro sem ligação não está garantido.
- Não há notificações na web. Funcionam no iPhone e no Android, não no navegador.
- Não há ligação bancária. Nada é importado dos teus extratos.
Estão no nosso plano, e algumas vão lá ficar muito tempo. Se alguma delas for decisiva para ti, outra aplicação servir-te-á melhor — e essa é uma resposta mais útil do que um discurso de venda.
Em resumo
- Exige os quatro modos de repartição: sem eles farás batota logo no segundo fim de semana.
- Confirma o que acontece a quem não instala nada. É essa pessoa que decide se o grupo adere.
- Em viagem, a moeda deve ser conservada com a sua taxa, não convertida no registo.
- Lê a política de privacidade antes de criar o primeiro grupo, não depois.
- Testa com um fim de semana a sério: os casos complicados não se inventam.